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Desde: 25/01/2017      Publicadas: 50      Atualização: 05/04/2017

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 Política

  15/03/2017
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Slut-shaming: o que é?, por Natacha Turko

No dia 8 de março de 2017 é o dia internacional dos direitos da Mulher, um evento que supostamente põe em evidência todas as desigualdades contra as mulheres que ainda persistem em existir. Entre todos os combates que devemos sustentar, há o problema do slut-shaming que é uma prática sexista e banalizada em nossa sociedade.

Slut-shaming: o que é?, por Natacha Turko

“ Você viu sua saia? Meu Deus como ela pode sair assim de sua casa, quase desnuda?!”; “ Mas essa rapariga não pode ficar com as pernas fechadas? Cada semana muda de namorado! ”. Homens e mulheres, jovens ou velhos, quase todo mundo já fez esse tipo de reflexão que ilustra bem o fenômeno do slut-shaming.

Significando literalmente “ estigmatização das vadias”, o slut-shaming é uma noção criada pelas feministas anglo-saxãs para designar todas as atitudes individuais ou coletivas contra meninas ou mulheres que têm um comportamento considerado como “anormal” ou “indecente”, segundo as normas tradicionais de nossa sociedade.  O slut-shaming é praticado sob diferentes formas: pode ser uma reflexão imprópria, assédio na rua ou na escola, até violência psicológica e física. Podemos também encontrar o problema no domínio das mídias e sobretudo nas redes sociais, nas quais a imagem e o julgamento sobre o físico são reis. O slut-shaming participa também da cultura do estrupo: infelizmente, não é muito raro de ouvir pessoas que justificam o abuso sexual dizendo que o comportamento e as roupas da mulher eram “provocantes”. A vítima se torna responsável de sua própria dor e essa culpabilização pode destruir uma pessoa.

A marcha das Vadias (SlutWalk em inglês) é uma manifestação que surgiu em 2011 no Canadá, em reação a uma reflexão cruel de um policial de Toronto, após casos de estrupo de estudantes: segundo ele para diminuir os riscos de abuso sexual, bastaria que as mulheres parassem de se vestir como “vadias”. O movimento se espalhou em vários países, como, por exemplo, nos Estados Unidos, na França, em Portugal, na Índia, na África do Sul e na Argentina. No Brasil, a primeira marcha ocorreu em São Paulo, ainda em 2011, e depois nas grandes cidades como Fortaleza, Salvador, Rio de janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.  O princípio é de protestar contra o slut-shaming, o machismo e reivindicar a liberdade da mulher, os manifestantes são geralmente vestidos com roupas consideradas como vulgares.

E difícil perceber quando fazemos slut-shaming no nosso cotidiano, porque é um mau hábito bem enraizado em nossa sociedade. Pessoalmente, para parar de julgar mulheres sobre seus vestidos ou comportamentos que posso achar como vulgar, tento de sempre pôr em dúvida meu primeiro julgamento: quem sou eu para julgar uma pessoa sobre seu físico? Se fosse um homem, será que teria essa opinião? Afinal, meu ponto de vista é talvez influenciado pelas regras sexistas impostas pelo patriarcalismo dominante?  

Para erradicar o slut-shaming, penso que temos de entender que as palavras podem ferir e mesmo matar, mas sobretudo que uma mulher é um ser humano livre que tem o direito de se vestir como ela quiser e viver uma vida sexual ativa sem ser ameaçada psicológica ou fisicamente por isso.

 

Fontes :

http://www.madmoizelle.com/slut-shaming-115244

http://blogueirasfeministas.com/2012/10/cultura-do-estupro-e-slut-shaming/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_das_Vadias

  Autor:   Natacha Turko


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