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Desde: 25/01/2017      Publicadas: 52      Atualização: 30/05/2017

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 Literatura

  05/04/2017
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Bom dia Camaradas - por Vanessa Jorge

Hoje, o livro que vos aconselho intitula-se Bom dia camaradas, uma das obras mais conhecidas de Ondjaki publicada em 2001.

Bom dia Camaradas - por Vanessa Jorge

Este escritor nasceu em 1977, em Luanda, atual capital de Angola. Estudou em Luanda assim como em Lisboa onde tirou uma licenciatura de sociologia. Tal como outros escritores angolanos, Ondjaki também é membro da União dos escritores Angolanos. Escreve prosa (novelas, contos, romances), poesia e escreve também para o cinema e para o teatro. Ganhou vários prémios entre os quais, o prémio José Saramago em 2013 e o Prix littérature-monde em França em 2016 com a obra Os Transparentes. As suas obras são traduzidas em várias línguas (francês, alemão, inglês, espanhol, italiano, sueco, swahili, polaco e até em chinês) é assim que ele tem uma dimensão internacional.

Relativamente à obra, este romance relata a vida cotidiana de um menino que vive em Angola após o país ter-se tornado independente em 1975. Desse menino maduro, não se sabe nem o nome nem a idade, porém apercebemo-nos que ele reflete como um adulto, já que levanta os problemas fundamentais da sociedade angolana.

Na escola, as crianças são obrigadas a vestir uniformes e a cantar o hino nacional. Nos espaços públicos nomeadamente no aeroporto é proibido tirar fotografias “por razões de segurança de Estado” p.38. O povo angolano tem que sair do carro e manter-se calado para deixar passar o camarada presidente na rua. Além disso, os angolanos possuem cartões de abastecimentos para comprar as provisões de casa, não podem comprar o que querem e são desta forma controlados pelo Estado. E não só, os habitantes são vigiados por militares soviéticos assim como a rádio também está controlada. Para realçar os problemas, o autor compara Angola com Portugal através da personagem da tia do menino que vem de Portugal e que conta que lá não existe o sistema dos cartões de abastecimentos, que o presidente também anda a pé na rua e que ninguém sai do carro para deixar passar o presidente

Ondjaki escreve esta obra na primeira pessoa e usa palavras e expressões africanas. As palavras são escritas tal como são pronunciadas pelos angolanos, assim dá um caráter mais real à história. A oralidade é um ponto fundamental na literatura aficana, por conseguinte existem muitos diálogos em Bom dia camaradas. É uma narrativa muito poética e lírica (anáforas), porém o vocabulário usado é bastante fácil e não se encontra nenhum problema de compreensão já que as palavras empregadas em língua local são explicadas no glossário no final do livro.

Pessoalmente é uma obra que recomendo a quem quiser saber como se viveu em Angola após a independência. Vemos que apesar de Portugal já não controlar a administração do país e de já não ocupar o país, Angola não está complemente livre e vive num contexto de guerra civil. Há militares soviéticos que vigiam o território e professores cubanos que ensinam (apoio da União soviética e de Cuba). As desigualdades sociais permanecem e são visíveis através da superioridade das figuras políticas. Além disso, apreciei os múltiplos diálogos que acentuam o aspeto real da história. Assim como, o fato de viver os acontecimentos reais do país através de um olhar e um pensamento infantil. O leitor desconhece até ao fim do romance o nome e a idade da criança, no entanto, sente-se muito próximo do menino e fica impressionado com a sua capacidade de refletir e com a ideia que ele tem da liberdade e da igualdade.

  Autor:   Vanessa Jorge


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